Uma voz inconveniente

Uma voz inconveniente

 

Ultimamente venho lendo e assistindo vídeos que falam sobre reprogramação mental, crenças negativas em relação ao nosso lidar com o dinheiro e sonhos e sobre prosperidade. É certo que a maioria de nós deva conviver com uma voz interior, uma voz chata, inconveniente e, por vezes, cansativa, que fica nos dizendo o que está faltando, o que deveríamos estar fazendo, o quanto ainda estamos longe de alcançar nossas metas e, pior, que não merecemos aquilo que almejamos. Se você não escuta essa voz, parabéns, e me mande um e-mail me contando como é viver sem ela, pois estou caminhando para alcançar esse estágio. [Sério, vamos trocar figurinhas! quelpovoas@gmail.com. Te espero, hein?]

Como tenho praticado alguns exercícios de reprogramação mental, o meu inconsciente tem começado a trabalhar ao meu favor. Ele atua de forma muitas vezes discreta, apenas me fazendo despertar para coisas que não percebo e que podem estar me prejudicando. Uma delas foi delatar sobre essa voz pentelha que convive em minha mente acho que desde quando era uma menina. Eu convivo com a ansiedade, então essa voz pode ser proveniente dessa condição, mas também de vivências que tive no passado sobre escassez, dificuldades e não pertencimento.

Uma certa tarde, enquanto trabalhava no meu notebook, na mesa do meu home office, algo me fez uma pergunta: – Como seria sua vida e o que você conseguiria fazer melhor se não ocupasse sua mente com pensamentos como “não vou conseguir”, “essa atividade é pesada demais para minha mente”, “está faltando dinheiro”. Sério, eu ouvi essa pergunta dentro da minha cabeça. E não, não foi a voz inconveniente quem me disse isso, ela jamais faria algum questionamento sobre essas coisas. Ela quer me ver aprisionada em pensamentos perturbadores, essa danada.

Fiquei pensativa a respeito. Daí, no outro dia, senti uma vontade de ir caminhar na orla – moro próximo à Praia do Pontal –, após a novela das seis que eu tanto gosto de ver. Ainda fiquei naquela de ir ou não, que já era tarde, que tô sem 4G para ouvir música. As velhas desculpas de sempre. Mas, mesmo assim, pus minha roupa, baixei um programa novo de um podcast que acompanho da Flávia Melissa (“Conversas do despertar”, super recomendo) e lá fui eu. No caminho, senti que faltava algo. Sabe aquela sensação de quando saímos de casa e achamos que esquecemos alguma coisa? Mas nada tinha sido deixado: celular em mãos, RG, dinheiro para comprar pão na volta… O que faltava então? E foi aí que percebi.

Faltava a voz. Faltava a voz dizendo que eu “deveria ir caminhar porque afinal de contas preciso cuidar da saúde aos 30” ou “mas agora? Caminhar essa hora? Ah não, amanhã você vai”. Acho que tinha esquecido a voz em casa. E isso tinha deixado uma espécie de vazio. Sorri e lembrei do que a minha antiga terapeuta disse uma vez para mim: – Quando a dor, culpa ou qualquer outro sentimento/sensação ruim é deletada de nós, fica um espaço em aberto que precisa ser preenchido. Preencha de luz. E eu me preenchi de luz, de satisfação por estar indo fazer o que eu estava querendo fazer, sem me importar exatamente com a cobrança de que eu “deveria estar fazendo isso” ou “eu preferiria ficar em casa tomando um chá”. Apenas fui. Apenas flui. E deve ser bem assim a vida de quem não convive com a voz chata.

Sabe de uma coisa? É essa vida que eu quero ter também.

(Opa, um acréscimo: eu sei que não é uma decisão tão rapidinha assim. Quem convive com a ansiedade como eu, por exemplo, nem sempre consegue ter controle sobre a voz. Mas “querer” ter controle sobre ela e, principalmente, “saber” que ela existe, é um ótimo passo a se dar. Cuide de você, mas sem se cobrar. Fluir, lembra?)

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  1. Me fez refletir,amei e vou continuar amando, afinal, trabalho ajudando as pessoas a tirarem, mudarem e a transmutarem “essas vozes” em LUZ. Gratidão! Sempre aprendendo com você. Bjo