Não aceite sanduíches ruins

Não aceite sanduíches ruins

sanduíche
Não aceite sanduíches ruins

Em uma quarta-feira, depois de voltar de uma consulta médica, resolvi comer alguma coisa antes de ir para a casa do meu namorado. Parei no shopping, pedi um sanduíche daqueles que a gente tem que falar o que vai pôr dentro, escolhendo desde o pão até o molho. 

Escolhi sem medo de errar a opção “barato do dia”. Para ser mais simples, usei a mesma tática de sempre: 

 

– Salada senhora?

– Sim, alface e tomate.

– Mais algum item?

– Não, só isso.

 

Tenho uma teoria de que, se sou indecisa, fazer escolhas sobre pressão pode me levar com um grande percentual de risco a cometer muitos erros. Logo, toda vez que vou ao mesmo restaurante ou lanchonete, já tenho o mesmo pedido em mente. Enfim, coisas que parecem enfadonhas demais – mas que me salvam bastante.

 

Mas o sanduíche estava ruim.

A carne estava fria e parecia não ter sido sequer assada ou coisa que o valha. Enquanto mordia o lanche, pensava cá com os meus botões: – isso era para ser assim mesmo? E olhava para a imagem do sanduíche estampada no cartaz que dizia as opções da semana. E mordia, sem gostar. 

Cheguei até a metade daquela experiência gastronômica péssima e, finalmente, decidi que não dava mais. Porém, o sanduíche já estava pela metade e não fazia o menor sentido ir lá trocar. Eu perdi a chance de comer algo bom (ou ter meu suado dinheirinho de volta) porque fiquei a outra metade inteira da refeição tentando me convencer de que aquilo não era digno de ser comido. 

 

Me diz uma coisa: quantas vezes na vida a gente não faz isso?

 

Quantas vezes na vida a gente vai aguentando sanduíches mal preparados, empregos que não pagam bem, cursos de faculdade que não fazem o menor sentido pra gente, relacionamentos amorosos ou amizades meia-boca? Que atire o primeiro Xbacon a pessoa que nunca passou por isso antes.

A estatística de silenciamento sobre coisas que não estamos gostando aumenta se a pessoa em questão for uma mulher. Nós, representantes do gênero feminino, encaramos um legado de séculos e mais séculos de opressão, onde não podíamos expressar descontentamento com absolutamente nada: casa, marido, política, abusos. 

O sinônimo de “ser feminina” muitas vezes perpassou – e ainda passa – pela noção errônea de que precisamos ser tolerantes ao máximo, que o alicerce de tudo é a mulher. Minha gente, mulher é ser humano e tem todo o direito de chutar o fucking pau da barraca a respeito de qualquer situação que a desagrade e faça mal. Bora anotar isso num post it e sair colando por aí, beninas? Então vamos.

 

Não coma a porcaria do sanduíche ruim – e exija seu dinheiro de volta!

Hoje em dia sou uma pessoa bem diferente do que era. Consigo me posicionar muito mais sobre tudo que acho que precisa ser melhorado, mudado ou simplesmente extinto da face da terra. 

Faço isso com situações que envolvam meu namoro, amizades, família, trabalho, qualquer coisa. Mas, ainda assim, volta e meia me pego comendo lanches terríveis sem pestanejar, ou demorando mais do que deveria para perceber que alguma situação me fez mal. E tá tudo bem, de verdade.

Mas, por favor, vamos todxs nos unir nessa causa mais que importante aqui: a de tentar ao máximo não se diminuir para caber no mundo de alguém, ou deixar de reclamar seus direitos por vergonha ou por achar que será julgadx. 

Combinado assim? Então beleza. E que o seu próximo lanche possa ser o mais absolutamente delicioso possível. Até mais!

 

Gostou do texto? Então vou sugerir essa leitura: As coisas quase feitas

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