Já são 11:11?

Já são 11:11?

já são 11:11?

Sempre procurei significado nas coisas que faço. Era leitora assídua de horóscopo diário. Tentava incluir meus trejeitos a algum grupo de pessoas específico que nasceram no mesmo dia que eu. “Hoje as geminianas vão…”.

Ao acordar, arrumo a cama – a não ser quando acordo atrasada pro trabalho. Esse ritual me coloca em sintonia com o despertar. Tirar o pijama depois de levantar também. Isso eu faço até hoje. E há quem diga que não faz sentido algum arrumar algo que iremos bagunçar logo à noite. Mas para mim, faz.

Quando vou à praia, molho os pés na água do mar. Quando faço isso, reverencio quem cuida dele. Há de ter alguém a cuidar, penso. O mar é de todos, mas peço licença. Mais um dos hábitos que tenho para dar sentido às coisas. 

 

Ao ler um livro – novo ou nem tanto -, preciso cheirar suas páginas.

Isso traz conexão com o enredo. Me liga às personagens. Me coloca em outro mundo, aquele mundo. Parece poético, em tempos de e-books. Mas eu amo e-books também.

Se saio de casa, aviso meu cachorro. “Volto daqui a pouco”, “venho mais tarde”, “se cuida, tá?”. É feio sair sem dar tchau para quem amamos, sem dar explicações. Eu tenho certeza que ele entende. E fica mais fácil, talvez, aguardar pela minha volta.

Na casa da minha mãe, toco uma folha de cada árvore. Verifico quais cores as flores resolveram mostrar dessa vez. Pego a minha caneca preferida para fazer um chá. Leio novamente as frases motivacionais nos ímãs de geladeira. É a casa da minha mãe. É lar.

Ao finalizar os áudios constantes que envio para amigas queridas, certifico-me de dizer te amo ao final deles. Expressão que não gasta com o tempo e vale muito. Vale tudo que cada uma delas representa para mim. E vai que naquele dia, logo naquele, elas estejam precisando de amor? 

Andando até o ponto de ônibus para ir trabalhar, ainda no escuro, peço proteção a quem protege a gente aqui da Terra. Como não sei quem é, peço sempre no plural. E agradeço. Agradeço muito. E incluo todas as pessoas que meu sono permitir lembrar.

Se durmo na casa do meu namorado, preciso que ele levante mais cedo do que de costume para abrir a porta pra mim. O ritual é sempre o mesmo: aliso suas costas, depois afago seus cabelos. Espero ele abrir os olhos. E deito em seu peito. O mundo pede correria, mas ali, com ele, bem que poderia se parar o tempo.

 

Dizem que 11:11 é um horário especial.

Que, ao olhar o relógio e perceber que essa é a hora, o que estivermos pensando é importante, quase mágico. E várias vezes me pego olhando para os ponteiros exatamente nesse momento. Às vezes pensando em planos, às vezes só pensando em ir pra casa logo. 

E se toda vez que paro e vejo que é esse horário, então percebo que todas as coisas têm algo de mágico nelas. Pequenas coisas, grandes planos, desgostos da rotina. Tudo pode ter significado. Já são 11:11? E em que tempo aprenderemos que viver é poesia que nenhum signo pode prever? 

 

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