As coisas quase feitas

As coisas quase feitas

As coisas quase feitas
As coisas quase feitas

As coisas quase feitas nos chamam. Elas quase gritam por nós. O livro não terminado. O filme que falta o final. A série que ficou pela metade. O chá que está frio e não dá mais pra beber. 

Ficam gritando essas coisas no nosso ouvido, como quem reivindica direitos básicos na esquina de um protesto no centro de alguma cidade. Ei, continue a me ler! Vem cá, esquenta de novo essa caneca e me bebe! Quem você pensa que é para não assistir o meu desfecho? 

Existe aquilo que não fizemos. Aquilo que ainda vamos fazer. Mas nada disso impera mais na estante das cobranças do que o que foi deixado pela metade. É como se isso – deixar pela metade – fosse algum tipo de atestado que aprova a total incapacidade de levarmos adiante qualquer coisa. A gente até começa, mas não consegue finalizar.

 

Não importa a tentativa. O “ter começado”. Fracassar por não tentar ainda é melhor visto. Desistir no meio do caminho? Ui! Pode não, tá?

 

E assim as coisas quase feitas vão nos gritando. O chá esfriando. A série é esquecida. A página virada para um novo livro. Aquele antigo perdeu foi a graça toda. E nada disso deveria falar sobre nós. Porque não são as desistências que nos definem, mas o fato de podermos es-co-lher.

A vida é curta para beber cafés ruins e ler livros chatos!

Eu queria saber onde tá escrito que existe regra pra não desistir do que não faz mais sentido pra gente. Namoro que não vingou. Trabalho que não acrescenta. Filmes demorados demais. Ficar na fila do mercado até o final para não sair da guerra antes da hora soldado! 

As coisas quase feitas nos chamam. E eu não estou nem aí.

 

Gostou do texto? Então vou sugerir essa leitura: Viagem no tempo das coisas que vivo todo dia

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